
Ao ler todos estes resultados do universo feminino online, pergunto se nossa participação, “maior” que a masculina, significa realmente liderança? Até hoje, ainda, não vimos nenhum boom da Internet ter sido criado por mulheres, pelo contrário Google, Facebook e Twitter, foram todos criados por eles. Nos congressos e cursos de computação, software e internet nota-se que a quantidade de mulheres é bem inferior, comparada a participação masculina. E quando o assunto é emprego, os cargos de decisão quase nunca são ocupados por elas.
Olhando por este aspecto, o acesso à cultura digital entre mulheres e homens está bem longe de ser de igual para igual. Tendo a acreditar que a relação entre a mulher e a Internet não é muito diferente da feita pelas mídias convencionais: elas continuam no patamar de superexploração e futilidade. Ontem encontrei uma matéria no site da Veja falando sobre comportamentos que irritam as mulheres no Facebook. Segundo o estudo realizado nos Estados Unidos, pelo site de compra coletiva Eversave, 83% das 400 entrevistadas já se irritaram pelo menos uma vez por causa de recados publicados por suas conexões. Entre as ações mais abominadas na rede social, estão: reclamar o tempo todo (63%); divulgar opiniões políticas divergentes (41%); exaltar suas vidas perfeitas (32%); exaltar os filhos (16%).
Creio que este tipo de pesquisa só reforça o conceito de futilidade feminina na rede. A questão é que existem assuntos mais importantes referente as mulheres. A maioria dos sites tem colunas “especiais” para as internautas, que tratam sobre moda, beleza e compras. Mas elas não são bem mais do que isso? Não que não gostamos de ler sobre este tipo de coisa, mas tenho certeza que queremos mais, muito mais. A web tem que ser vista como espaço para discussão social e política, o público feminino precisa deixar de ser usuário para ser praticante.

